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sexta-feira, 12 de julho de 2013

O uso dos porquês: Os porquês do porquinho



Esse texto é bem bacana pra chamar a atenção da turminha para os diferentes porquês. Em seguida, podemos descobrir juntos a função de cada um, a partir do texto!



Aconteceu na Grécia! Era uma vez um jovem porquinho, belo e bom, muito pequenino, cuja vida foi dedicada à procura dos porquês da floresta. Tal porquinho, incansável em sua busca, passava o dia percorrendo matas, cavernas e savanas perguntando aos bichos e aos insetos que encontrava pelo caminho todos os tipos de porquês que lhes viessem à cabeça. - Por que você tem listras pretas se os cavalos não as têm ? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras. - Pernas compridas por quê, se outros pássaros não as têm? - indagava às siriemas, de forma perspicaz. - Por que isso? Por que aquilo? Era um festival de porquês, dia após dia, ano após ano, sem que ele encontrasse respostas adequadas aos seus questionamentos de porquinho. Por exemplo, sempre que se deparava com uma abelha trabalhando arduamente, ele perguntava por quê. 

E a pergunta era sempre a mesma: - Saberias, por acaso, por que fazes o mel, oh querida abelhinha? E a abelha, com seus conhecimentos de abelha, sempre respondia assim ao porquê: - Fabrico o mel porque tenho que alimentar a colméia. Mas a resposta das abelhas não o satisfazia, porque eram os ursos os maiores beneficiados com aquela atividade. - Alguma coisa deve estar muito errada, porque eram os ursões que ficavam com quase todo o mel, sem ter produzido um pingo.- pensava o porquinho. Então, valente como os porquinhos de sua época, seguia pela floresta à procura de ursões, fortes e poderosos, ansioso por que eles soubessem a resposta. 

Quando encontrava um, perguntava: - Senhor, grande e esperto ursão, poderias me dizer a razão e solucionar o porquê da questão? E alguns ursos, mais exibidos, até tentavam responder, porque de mel eles entendiam muito, mas sobre trabalho... as respostas eram sempre do senso comum de ursão e não resolviam a questão. - Elas fabricam o mel porque ele é muito gostoso. – diziam uns. - Elas o fabricam porque o mel é delicioso. – diziam outros. 

Havia aqueles que se limitavam a olhar feio e, ainda, aqueles que até ameaçavam o pobre porquinho e iam embora, sem dizer por quê. Apesar disso, o porquinho seguia em frente. Um dia - porque toda história têm um dia especial - o porquinho encontrou um oráculo em seu caminho e resolveu elaborar o seu mais profundo porquê. Afinal, oráculo é para essas coisas. 

Então, ele perguntou com sua voz fininha, mas de modo firme e sonoro - Por que existo? Houve um profundo silêncio na floresta e o porquinho pensou que aquele porquê nunca seria respondido, afinal. Mas de repente, o oráculo falou, estrondosamente, porque era oráculo. - Procure o Sr. Leão, rei da floresta, e pergunte a ele por que você existe. Só ele lhe dará uma resposta adequada. Então, feliz, animado e saltitante, lá se foi o porquinho à casa do grande e sábio rei da floresta, carregando o seu também grande e sábio porquê.

Ao chegar à casa do leão, o porquinho bateu à porta e, quando foi atendido por sua realeza, tratou logo de lascar o seu porquê mais precioso: - Sr. Leão, rei dos reis, sábio dos sábios, poderia Vossa Alteza me dizer por que existo? E o leão, porque era leão, respondeu mais que depressa. Nhac. Porque é o da história! Fim.

 Clóvis Sanches

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O toco de lápis

Lá, num fundo de gaveta, dois lápis estavam juntos.
Um era novo, bonito, com ponta muito bem feita. Mas o outro – coitadinho! – era triste de se ver. Sua ponta era rombuda, dele só restava um toco, de tanto ser apontado.

O grandão, novinho em folha, olhou para a triste figura do companheiro e chamou:
– Ô, baixinho! Você, aí embaixo! Está me ouvindo?
– Não precisa gritar – respondeu o toco de lápis. – Eu não sou surdo!
– Não é surdo? Ah, ah, ah! Pensei que alguém já tivesse até cortado as suas orelhas, de tanto apontar sua cabeça!

O toquinho de lápis suspirou:
– É mesmo... Até já perdi a conta de quantas vezes eu tive de enfrentar o apontador...

O lápis novo continuou com a gozação:
– Como você está feio e acabado! Deve estar morrendo de inveja de ficar ao meu lado. Veja como eu sou lindo, novinho em folha!
– Estou vendo, estou vendo... Mas, me diga uma coisa: Você sabe o que é uma poesia?
– Poesia? Que negócio é esse?
– Sabe o que é uma carta de amor?
– Amor? Carta? Você ficou louco, toquinho de lápis?
– Fiquei tudo! Louco, alegre, triste, apaixonado! Velho e gasto também. Se assim fiquei, foi porque muito vivi. Fiquei tudo aquilo que aprendi de tanto escrever durante toda a vida. Romance, conto, poesia, narrativa, descrição, composição, teatro, crônica, aventura, tudo! Ah, valeu a pena ter vivido tanto, ter escrito tanta coisa, mesmo tendo de acabar assim, apenas um toco de lápis. E você, lápis novinho em folha: o que é que você aprendeu?

O grandão, que era um lindo lápis preto, ficou vermelho de vergonha...

Por Pedro Bandeira.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

SE AS COISAS FOSSEM MÃE



e a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas,
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.


e a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos,
O mar seria um jardim e os barcos seus caminhos.

e a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas,
Conversaria com a lua sobre as crianças-estrelas,
Falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins!


e a terra fosse mãe, seria mãe das sementes,
pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

e uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada... Nossa mãe fada seria.


e uma bruxa fosse mãe, seria mamãe gozada:
Seria a mãe das vassouras, da Família Vassourada!


e a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
Faria chá e remédio para as doenças da vida.

e a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,
Sentariam comportadas, teriam “boas maneiras”.


ada mãe é diferente:
Mãe verdadeira, ou postiça, mãe-vovó, mãe titia,
Maria, Filó, Francisca, Gertrudes, ______________ (nome de sua mãe),  Malvina, Alice,
toda mãe é como eu disse.

ona Mamãe ralha e beija,
Erra, acerta, arruma a mesa, cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora, traz remédio e sobremesa.


em até pai que é “tipo-mãe”...
Esse, então, é uma beleza 



Sylvia Orthof